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    Marcas geralmente não morrem de fome, mas de indigestão

    Na era dos excessos você fica em dúvida do que escolher. Aquelas séries todas na Netflix, novas praias para conhecer no litoral da Croácia, as recém lançadas salsichas veganas ou aquele novo curso online do guru do momento. Uma enxurrada de alternativas que muitas vezes nos confundem só de vermos o tamanho da análise necessária para uma escolha. Do mesmo modo, as empresas são tentadas pelo diabinho do “fazer mais”. Claro, inúmeras tendências, pesquisas, referências disponíveis apontando diversos caminhos viáveis. E algum concorrente fez. Logo, está ficando para trás. Como aquele amigo que te garantiu que está totalmente por fora por não ter visto a temporada 25 da série mais popular no streaming.

    Inúmeros estudos já mostraram que quando seres humanos são submetidos a muitas opções, a escolha se torna muito dolorosa. Uma causa de frustração, stress, depressão. No caso das marcas, excesso de escolha leva a um outro destino, igualmente trágico. Na expectativa de não deixar escapar nenhuma oportunidade, leia-se clientes e por consequência faturamento, elas tentam agarrar todas. Ao contrário do que se pensa, um negócio geralmente não morre porque deixou de fazer coisas, mas porque tentou muitas ao mesmo tempo. Se fosse no futebol, seria o goleiro com alma de atacante, de tanto sair da área para arriscar no gol adversário, deixou aberta sua própria goleira para tomar uma sacola de gols.

     

    Quando ouvir estratégia de marcas, lembre-se que são escolhas!

     

    Lembro de um genial professor de matemática que dizia: “quem escolhe, deixa”. Deixar para trás não parece nada confortável no âmbito dos negócios. Afinal, pessoas são tão diferentes entre si, com níveis de exigência distintos, gostos únicos, necesidades ímpares. Deixar de lançar um produto pode ser perder mercado. Deixar de estender um serviço, talvez destrua a reputação. Na escolha por não morrer de fome, cai-se no extremo oposto. Come-se de tudo. E um belo dia você descobre um mix absurdo de produtos que nem sua equipe entende mais. Detalhe, apenas uma parte dele tem performance comercial e deixa algum resultado na empresa. Percebe que contratou um monte de gente, mas poucos deles entendem o que sua marca deveria significar para os consumidores. Surpreende-se que uma agência qualquer te convenceu que o digital vinha primeiro, mas descobre que seu público tem uma experiência ao vivo terrível.

     

    Então chega a hora de dizer chega!

     

    O que sua marca quer ser na mente das pessoas? Qual o significado dela para o público? Aonde sua empresa realmente faz a diferença? O que ela entrega muito acima das outras alternativas que o mercado tem? Certamente as respostas desses perguntas não serão o eventual balaio de coisas que seu negócio pode ter se transformado. Quando você aproxima-se da essência daquilo que deseja, de onde realmente domina o campo, aí sim chegou a hora de deixar muitas coisas para trás. Sem culpa. Sem remorso. Naturalmente. Vai descobrir que para ser o melhor do mundo, pode ser um péssimo cabeceador. Que o diga Messi. Vai simplificar suas decisões, irá inclusive ser muito melhor naquilo que já é muito bom.

    Cansou de comer muito? A indigestão pode estar próxima. O antídoto é o branding, um trabalho que dê clareza as ideias, descarte caminhos e aponte os investimentos em uma única estrada que vai suportar e canalizar todo esforço, dinheiro e recursos necessários. A dieta vai ser a adequada para parar de sentir-se mal com excesso, sem nunca deixa-lo com fome. Isso é o que o branding pode fazer por seu negócio e por sua marca.