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O sutil dilema entre avançar e recuar (e suas agonias)

Todos os anos, milhares de alpinistas experientes e novatos, reúnem-se nos tradicionais destinos de escaladas. Um destes pontos cultuados como catedrais deste esporte localiza-se na Patagônia argentina. A montanha Fitz Roy, assim batizada em homenagem ao capitão do barco Beagle que levou Charles Darwin, já foi considerada uma das mais difíceis escaladas técnicas do planeta. Cheia de histórias, uma delas envolveu 4 jovens que saíram da Califórnia e dirigiram até a sua base para depois escala-lo, resultando em filme chamado Mountain of Storms (vídeo abaixo). Entre eles estavam os fundadores das marcas Patagonia e The North Face. Apenas 3.405 metros acima do nível do mar, o Fitz Roy é pequeno para o padrão Himalaia, mas com um paredão vertical de granito e clima imprevisível.

Os negócios também são imprevisíveis. Quando o cenário não é positivo, parece que cada dia torna-se um paredão vertical a ser subido com muito esforço e cuidado. Mas isso não impede que as pessoas juntem suas vontades, desejos e esperanças nas mochilas e partam para suas missões. Das mais variadas especialidades. Certa vez Van Gogh disse que “Os pescadores sabem que o mar é perigoso e a tempestade terrível, mas eles nunca acharam esses perigos razões suficientes para permanecer na costa.” Quem assistiu o filme Mar em Fúria entende um pouco sobre isso.

Assim são os empreendedores. Buscam aquele prêmio escondido no cume. Destinado aos poucos que tiveram coragem, forças e planejamento suficiente para encarar a montanha do medo e das dificuldades. Para subir e vencer, obstinação é uma palavra mandatória. Quem chega até aqui não desiste por qualquer coisa. Às vezes nem por grande coisa. Neste ponto mora o perigo. Quem está programado para avançar mesmo diante de desconfortos e adversidades é o mesmo que está programado para ignorar alertas de perigo grave e próximo. Este é o lugar aonde espreita o dilema do alpinista e do empreendedor. Para o sucesso é preciso estar motivado. Mas se a motivação for excessiva é bem possível que você morra pelo caminho.

Quando seguir e quando desistir se confundem. A mesma força que te levou até aqui, pode agora terminar com tudo. Todo negócio precisa de uma certa dose de loucura. Uma parte dela move os sonhos dos escaladores em chegar aonde poucos foram rindo da cara da morte. Na Patagônia o vento varre a Terra como a vassoura de Deus. Nos negócios poucos ficam de pé quando a tempestade faz tudo girar. No entanto, o cume do Fitz Roy e o sucesso do seu empreendimento continuam lá, a metros ou semanas de distância. Rindo da sua cara de medo.

“Vida ou morte, útil ou inútil, há gente que passa o tempo todo perseguindo as nuvens de sua própria glória.” Até que ponto você quer colocar o risco de perder tudo em troca desta chance? Sua obstinação é forte suficiente para te levar adiante, mas contida o necessário para saber quando voltar? Qual das agonias você suportaria, a desistência ou avanço para o fim? Pense nisso, quando estiver lá em cima.

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2 Comments

  • Reply Joiciane sousa Leite

    Olá, gostei muito desta foto da rota 40, gostaria de comprá-la em alta resolução para confeccionar um papel de parede para a minha sala, viajei pela Espanha e tinha uma foto bem parecida com esta na parede de uma cafeteria, achei bem interessante. Agradeço se puder responder

    agosto 25, 2019 at 12:41 am
    • Reply Felipe Schmitt-Fleischer

      Olá Jociane! A foto que ilustra o post é na verdade da rota 23, caminho entre a rota 40 e a cidade de El Chaltén.
      A foto é de banco de imagens, assim não tenho como vendê-la.
      Obrigado pelo comentário! Abraços!

      agosto 26, 2019 at 12:36 pm

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