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Desagregação

Alguns livros transcendem temas e tratam de um painel mais amplo e complexo da sociedade. Abordam economia, empreendedorismo, política, artes para contextualizar um momento. Assim é Desagregação, livro do excelente jornalista George Packer. Através de suas páginas relata de maneira pessoal, centrando em algumas figuras públicas e outras anônimas, os anos recententes nos Estados Unidos, explicando o que levou a potência mundial a este nível de desigualdade (e desagregação).

Uma das excelentes passagens conta a história de Sam Walton e seu Wal-Mart. “E foi só depois de sua morte, depois que o fundador caipira do Wal-Mart deixou de ser sua face pública, que o país começou a compreender o que a empresa dele havia feito. Ao longo dos anos, os Estados Unidos ficaram mais parecidos com o Wal-Mart. O país se tornara mesquinho. Os preços eram mais baixos, e os salários eram mais baixos. Havia menos empregos fabris sindicalizados e mais postos de trabalho de atendente de loja em meio período. As cidades pequenas onde Mr. Sam percebera sua oportunidade de negócio estavam ficando mais pobres, o que significava que seus consumidores dependiam cada vez mais de preços baixos todos os dias, faziam todas as compras no Wal-Mart e talvez também tivessem de trabalhar lá. O esvaziamento da região central dos Estados Unidos era bom para o lucro líquido da empresa. E, em algumas partes do país que estavam enriquecendo, nas regiões costeiras e em algumas grandes cidades, muitos consumidores viam com horror o Wal-Mart e seus vastos corredores cheios de artigos vagabundos, quando não perigosos, fabricados na China, e preferiam comprar sapatos e carnes em butiques caras, como se pagar mais pudesse vaciná-los contra a disseminação da mesquinharia, enquanto lojas como a Macy’s, baluartes de uma antiga economia de classe média, desapareciam, e os Estados Unidos começavam a ficar parecidos de novo com o país onde Mr. Sam havia crescido.”

Não há dúvida que o livro apresenta um viés político, no entanto daqueles saudáveis em fazer questionar o estado das coisas e se outros caminhos são possíveis. O sucesso e os fracassos humanos retratados soam como recados úteis de como o berço do capitalismo aprofundou falhas que tornaram o jogo para poucos. Aproveite!

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